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O irlandês brasileiro

David Quinlan: um dos mais conhecidos nomes da adoração no Brasil e no mundo

A história do missionário irlandês David Quinlan com o Brasil começou bem cedo. Em 1963, com apenas cinco anos de idade, David veio para o Brasil com seus pais, permanecendo aqui até os seus 18 anos, quando regressou à Grã Bretanha, ficando por lá um ano. Em seguida, mudou-se para Dublin, Irlanda. Lá, David teve um encontro marcante com Deus tanto que deixou de lado a oportunidade de ingressar no campo da aviação comercial, como piloto.

David continuou sua jornada itinerante na Ilha de Formosa (Taiwan), onde serviu como missionário. Mas em 1990, retornou ao Brasil onde reside até hoje. Aqui, David Quinlan conheceu e começou a trabalhar com os missionários americanos Dan e Martin Duke do ministério “Uma Chamada para as Nações”. Nesse ministério, David foi intérprete, ministro de louvor e diretor da missão no Brasil. Foi nesse período que ele conheceu Bebel, uma gaúcha de Pelotas com quem se casou. Mudaram-se para Belo Horizonte (MG), onde residem com os filhos Donny, Danielle e a pequena Angel.

O casal, David e Bebel Quinlan, tem a cobertura espiritual dos ministérios “Latin American Ministries”, “Uma Chamada para as Nações” e da igreja a qual pertencem, Igreja Batista de Contagem (MG). David já ministrou em vários países, entre eles, Estados Unidos, Bolívia, Portugal, Irlanda, Inglaterra, Canadá, Cuba, Moçambique, Argentina, Japão e Israel. Os CDS “Fogo e Glória Curitiba” e “Abraça-me” já venderam mais de 100 mil cópias. David ainda gravou vários CDS pelo ministério “Uma Chamada para as Nações”: “Som da Chuva 1, 2 e 3”, “Em Tua Honra”, “Fogo e Glória ao Vivo” e um CD em parceria com a pastora Ludmila Ferber – “Menina dos Olhos de Deus”.

O reconhecimento ao trabalho veio em 2004, ano em que David recebeu com surpresa seis indicações ao extinto Troféu Talento – uma das maiores premiações da música evangélica brasileira na época. Das seis indicações, David conquistou dois prêmios: “Melhor Intérprete Masculino” e “Artista Destaque”. Já em 2011, David foi indicado para a Primeira Fase do Troféu Promessas – evento realizado pela Geo Eventos com o apoio da Rede Globo – como “Melhor Cantor”.

Em entrevista, David fala sobre o seu ministério, “Paixão, Fogo e Glória”. Conta como tudo começou e ainda surpreende ao falar sobre questões como as divisões que ocorrem na igreja evangélica e sobre família.

PFG: Por que “Paixão, Fogo e Glória”?
David Quinlan:
Nós trabalhávamos no ministério “Uma Chamada para as Nações”, liderado pelos pastores Dan e sua esposa Martin Duke. Quando o Dan e a Martin nos liberaram para termos o nosso próprio ministério, no meu coração e no coração da minha esposa Bebel estava este nome: “Fogo e Glória”. Em muitos lugares que íamos as pessoas chamavam o nosso ministério de “Fogo e Glória”. Esse nome sempre mexeu com o nosso coração, pois a nossa vida foi impactada pelo fogo e pela glória de Deus nos Estados Unidos. As nossas vidas nunca mais foram as mesmas… Só que as pessoas começaram a confundir as coisas. Quando o Dan Duke e a Martin iam ministrar em algum lugar, as pessoas esperavam que fosse nos encontrar para juntos adorarmos ao Senhor.  Uma vez que não nos encontravam, ficavam decepcionados e chegavam para o Dan e indagavam o porquê dele está usando o nome “Fogo e Glória”. E a mesma coisa começou a acontecer conosco. Muitas pessoas esperavam encontrar o Dan e a Martin para ouvirem as palavras abençoadoras do Dan, pois ele tem um conhecimento maravilhoso da Palavra que vem do coração de Deus, mas eles não encontravam, viam apenas a gente e começaram a dizer: “Puxa, mas cadê o Dan e a Martin?” Começou a gerar uma certa confusão na mente de algumas pessoas no Brasil. Nós sentamos e conversamos sobre isso um dia e falamos: “Nós temos que fazer alguma coisa, pois não queremos causar confusão e sim despertar fome, sede e paixão por Deus na vida das pessoas.” A palavra “paixão” sempre foi uma palavra que mexeu comigo. Certo dia, eu estava com a minha esposa e disse a ela: “Por que não Paixão, Fogo e Glória? Já que somos filhos de Dan e Martin Duke (espiritualmente falando). Eles começaram com o ‘Fogo e Glória’, mas também somos independentes como Ministério pelo fato de eles terem nos ordenado e enviado.” Foi aí que acrescentamos a palavra “paixão” ao nome “Fogo e Glória”, crendo que “paixão” é algo que flui do nosso coração para o coração de Deus e Deus correspondente com o seu fogo e a sua glória. No final deu tudo certo (risos). Nós ficamos vinculados ao “Ministério Fogo e Glória” e, ao mesmo tempo, independentes dele. Permanecemos apaixonados por Jesus, enfim, uma “confusão” que acabou dando certo.


PFG: Quais são as prioridades do seu ministério?
David Quinlan:
É a presença manifesta de Deus, pois foi isso que aprendi nos anos em que trabalhei com o Dan e a Martin, em meio a experiências nas quais fui transformado, minha vida foi mudada. A presença manifesta de Deus gera mudança de caráter, desperta santidade, desperta fome, desperta sede no coração das pessoas. Quando vamos a algum lugar ministrar, o nosso objetivo é sempre este: “Senhor, venha com a tua presença manifesta.” Que é diferente da onipresença Dele. Ele está presente em todos os lugares, mas Ele apenas se manifesta onde é bem-vindo, onde é desejado, procurado, onde Ele tem liberdade para atuar, onde as pessoas abrem o coração. Nós sempre oramos em função disso: “Deus, não queremos ser vistos.” Embora, é óbvio que isso aconteça, mas queremos que as pessoas sejam impactadas e elas somente serão impactadas não com o nosso estilo de música, mas com a presença de Deus na vida delas.


PFG: Por que é tão difícil ser um verdadeiro adorador?
David Quinlan:
Porque muitos não querem viver segundo o coração de Deus, não querem gastar tempo com Ele. Hoje, as pessoas estão muito consumistas, voltadas para si mesmas, muito materialistas e egoístas. As pessoas estão mais em si do que em Deus; é uma infelicidade, mas isso existe… Há um versículo em Amós 8.11 que amo muito e que diz assim: “Eis que vêm os dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.” O diabo sabe que se você gastar tempo com Deus a sua vida será impactada, mudada, vai ser diferente, porque não tem há como você estar com o Criador de todas as coisas, o Amado da sua alma e sair da mesma forma que entrou. O diabo faz de tudo para roubar o seu tempo fazendo com que você se ocupe de muitas coisas e menos com Deus. Eu estava na Argentina, há alguns anos, e um pregador ministrava. Eu me lembro de uma frase que ele disse: “Existe ativismo demais e intimidade de menos.” Esta frase mudou a minha vida de uma forma radical porque ela é uma verdade. O inimigo sabe que se nos tornarmos íntimos de Deus conheceremos a autoridade que nos está disponível. Tenho aprendido que a autoridade vem mediante a intimidade, mas se nós não temos tempo para sermos íntimos, estaremos longe deste potencial. Certa vez, fizeram uma pergunta ao Papa João Paulo II e isso não sai da minha mente. “O senhor se preocupa com o crescimento da Igreja hoje, mundialmente falando?” Ele respondeu: “Não preocupo não.” Aí perguntaram: “Por quê?” E ele respondeu: “Por que ela é dividida, não é unida.” Esta é uma grande verdade. Se formos analisar, as denominações se levantam umas contra as outras. Nós “somos irmãos, os outros são primos”, dizem alguns. Esta guerra entre as denominações é um absurdo! Quando não temos tempo para ouvir a voz de Deus, permitimos que essas diferenças sejam geradas em nosso meio – diferenças que vão se tornar mais importantes do que entendermos que somos um povo.

PFG: Qual é a visão do seu ministério?
David Quinlan:
É despertar e intensificar a fome e a sede que existe no coração das pessoas por Deus. Quer seja por intermédio da música, da internet, da Palavra de Deus, de um vídeo. Todos os nossos projetos são baseados nisso. Desejamos viver em função de despertar no coração das pessoas um desejo por mais de Deus e menos de nós mesmos. Dentro disso, nós realizamos anualmente as Conferências “Paixão, Fogo e Glória”. Temos hora para começar, mas não temos hora para terminar. Os nossos cultos são verdadeiros períodos de festa. O pastor Márcio Valadão (Presidente da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte/MG) me disse isso certa vez… E é mesmo! Temos também a visão de parcerias, pois alguns CDS nossos têm a participação de outros ministérios. Um deles em parceria com Mike Shea e Davi Silva (Casa de Davi). O clamor do nosso ministério é um só: “Toca nos meus olhos que eu quero te ver”; “Toca nos meus ouvidos que eu quero te ouvir”.

PFG: É nítido o respeito e o carinho que você tem por sua família. E também a importância que você dá à sua esposa no seu ministério. Tanto que em muitos de seus textos, você sempre ‘assina’ o seu nome e o dela. Isso é interessante, pois muitos líderes não valorizam a família que possuem. O que Deus tem lhe falado a respeito da família? Como é o envolvimento da sua família com o seu ministério?
David Quinlan:
Interessante que Bebel e eu sempre comentamos sobre isso, da necessidade de termos a nossa família por perto. Eu digo que 80% do meu ministério estão sobre os ombros da minha esposa. O que meus filhos e eu fazemos é apenas 20%, pois é a Bebel que toma conta de toda a ‘carga’ administrativa, financeira e a agenda do ministério. Algumas vezes, eu não fico nem sabendo de nada! Deixo tudo para ela resolver. Esta foi uma boa parceria, feita por Deus, quando nos casamos: eu canto, ela encanta; eu ministro, ela administra (risos). Mas não é fácil, há uma necessidade muito grande da família se envolver ministerialmente. Nós temos uma demanda gigantesca em nossa agenda. Todo ano acontecem várias viagens e ministrações dentro e fora do país e quem paga o preço por isso é a minha família. Muitos irmãos em Cristo não entendem quando a nossa agenda está livre. Eles nos ligam convidando para estarem juntos de nós. E mesmo explicando que separamos aquele fim de semana para estar com a família eles insistem. Há uma pressão muito forte sobre a família neste sentido. E é uma das áreas, obviamente, que o diabo quer fazer de tudo para derrubar, porque o que me importa sair e ganhar o mundo inteiro, voltar e ver que meu filho adolescente não está nos caminhos do Senhor? Não adiantará nada. Eu me lembro quando a Angel, minha filha caçula, começou a engatinhar e não estava em casa, estava no interior de Minas; quando ela começou a andar eu também não estava em casa, estava fora do Brasil; quando ela disse papai pela primeira vez eu também não estava presente… Eu estou expressando o que eu vivo. Há uma necessidade muito grande de cobertura espiritual por parte dos amigos e de pessoas que possam estar nos ajudando neste sentido. Três ministérios de intercessão nos cobrem espiritualmente em tempo integral. A família é uma entidade muito importante, ela está no coração de Deus e é um dos maiores alvos do inimigo que quer destruí-la e dividi-la. A maior parte das famílias passa um tempo juntos. No nosso caso, temos que abrir mão do tempo. Os trabalhos realizados com grupos familiares são muito importantes para ajudar os casais nestas questões. Se a família não está 100% ao lado daquilo que você está fazendo (mais uma vez falando ministerialmente) realmente será muito difícil. No caso da minha família, graças a Deus, há um apoio de 100%. Às vezes, os meus filhos sentem a nossa ausência, mas eles entendem até onde lhes é possível. Bebel e eu estamos juntos pagando o preço pelo ministério e temos visto o retorno por meio dos testemunhos que recebemos. É difícil, mas ao mesmo tempo recompensador!

PFG: Explique a frase: “A busca pelas bênçãos nem sempre gera intimidade, mas a busca pela intimidade sempre gera bênçãos”.
David Quinlan:
Por muito tempo, a Igreja foi egoísta. Creio que hoje isso está mudando, mas as pessoas que compõe o Corpo de Cristo sempre tiveram seus olhos voltados para as suas carências e necessidades. Voltados também para o seu entendimento, interessados apenas em receber. Chegavam à Casa de Deus e não tinham o interesse de oferecer uma adoração sincera ao Senhor, pois adoração é dar, é oferece-se para Deus. Muitos queriam apenas viver emoções, cantar, passar por aquele período de louvor o mais rápido possível para receber a Palavra, em seguida a bênção apostólica e depois voltarem para as suas casas e ‘receber’ mais alguma coisa da televisão… Era essa a mentalidade: participar do culto de mais ou menos uma hora e meia e depois voltar para casa e resistir a mais uma semana até o próximo culto. Lendo e estudando a Palavra de Deus e também lendo livros como “Transformados em tua presença”, de Sam Hinn e “Caçadores de Deus”, de Tommy Tenney, vi que o que eles diziam era a mais pura verdade. O povo estava interessado somente em receber, mas não estava interessado em dar o melhor para Deus. O povo se interessava somente no que Deus tinha para dar – as bênçãos –, mas não no Abençoador; na redenção, não queriam um relacionamento com o Redentor. Dessas experiências e ouvindo a voz de Deus que surgiu o entendimento desta frase que “nem sempre quando nós buscamos as bênçãos, nós nos tornamos íntimos”. Muitos de nós recebemos as bênçãos e damos as costas para Deus, assim como aqueles dez leprosos fizeram (Lc 17.11-19). Apenas um voltou para agradecer ao Senhor e os outros nove? Eles também foram curados da lepra, mas não voltaram para agradecer. A cura deveria ter despertado neles uma gratidão imensa, mas isso não aconteceu. Isso demonstra um nível de gratidão de boa parte da Igreja. Mas eu creio que este quadro tem mudado, Deus tem levantado gerações e vários ministérios, Deus tem levantado homens e mulheres, pastores que têm entendido isso, a intimidade. Não é somente a bênção, é o Abençoador; não é só a salvação, é o Salvador. Ele deseja um relacionamento. Por isso Ele diz em João 4.23-24 que está à procura de verdadeiros adoradores. Você já parou para analisar isso? Deus, o Criador de todas as coisas, à procura de alguma coisa? Isso é loucura! Mas Ele procura sim, pois quer filhos, adoradores, pessoas que estejam dispostas a gastar tempo, a conhecê-lo e a ter intimidade com Ele. Intimidade é isso, é você gastar tempo com uma pessoa. Você se torna íntimo de alguém que investe tempo. E por muito tempo a Igreja só esteve interessada em si mesma, mas este fato está mudando, a Igreja está começando a despertar. Deus tem uma autoridade espetacular para a Igreja, mas ela vem mediante a uma intimidade verdadeira e profunda.

PFG: Você incentiva a busca pelo “cântico novo”. Explique melhor sobre isso.
David Quinlan:
Se você analisar o Antigo Testamento, verá que em mais de 200 versículos, o Senhor voltou-se para a nação de Israel e disse: “Cantem um cântico novo para mim”. Duzentos versículos… Se fossem dois para mim já seria o suficiente para perceber e entender que é importante, aliás, qualquer coisa na Palavra de Deus é importante. Imagine duzentas vezes Deus falando: “Cante um cântico novo para mim, deixe-me ouvir aquilo que há no seu interior, agrada o meu coração com uma canção sua…” Eu entendo que essa geração verdadeiramente deseja andar em autoridade. Uma das maneiras de arrebatarmos o coração de Deus é por meio da canção “Terrila” que é uma das expressões em hebraico para o louvor. Esta canção é espontânea, vem não mediante a algo decorado ou que você ouviu no CD e canta. Algo que verdadeiramente mexe com Deus é a canção que vem do seu coração mediante a uma revelação. Algo gostoso que parte do seu coração. Já pensou se eu chegasse para a minha esposa todos os dias e falasse algo decorado para ela? À medida que o tempo fosse passando iria se tornar desgastante. No relacionamento entre marido e mulher para se manter a chama da paixão sempre acesa, é necessário criar coisas novas para não entrar no período de estagnação. Mas quando você tem sempre algo novo para oferecer, mantém o casamento vivo, a paixão acesa, o carinho, a vontade de pegar na mão um do outro. Devemos agir da mesma maneira com Deus. É por meio do cântico novo que ele se revela. O cântico novo precisa fluir do seu interior. A Bíblia diz no Salmo 40.3: “Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus; muitos verão isso e temerão, e confiarão no Senhor.”

PFG: Deixe uma mensagem a todos que acompanham seu ministério:
David Quinlan:
Entendam a ‘estação’ na qual estamos vivendo. Há um clamor muito grande vindo do mundo. O escritor Tommy Tenney faz uma pergunta em seu livro, “Os Caçadores de Deus”: “Por que o mundo não teme a Deus?”. Ele responde: “Porque a Igreja não teme a Deus.” As pessoas querem olhar para nós e ver a diferença, não apenas ouvir do nosso lábio a diferença, mas ver a diferença. E uma maneira disso acontecer é gastando tempo com Deus. Devemos ser parecidos com o Amado das nossas almas. À medida que vamos sendo transformados pelo Senhor, nossa vida se torna mais parecida com Ele. Sendo assim, o mundo olhará para nós e dirá: “Puxa vida, você é diferente! Não só porque você usa uma roupa diferente, não só porque você carrega uma Bíblia debaixo do braço, mas eu vejo uma diferença nos seus olhos, uma diferença na sua face, uma diferença que mexe com o meu interior…” Então, internauta, entenda que existe um clamor, eu creio que a estação que estamos vivendo é de intimidade, uma intimidade que gera um desejo verdadeiro por almas. Isso é o que Deus tem colocado no meu coração – intimidade que gera um desejo de conhecer o coração de Deus. Então viva em função disso, arrebate o coração de Deus e seja um ganhador de almas.

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